Dentre todas as produções da DC na emissora CW, nenhuma tem uma trajetória tão fascinante como Legends of Tomorrow, série focada no grupo viajante do tempo que constantemente precisa arrumar alguma encrenca em linhas temporais alternativas. Tal como seus protagonistas, a série começou com um nível de qualidade muito baixo, mas à medida de cada episódio e mudança de direção, a série foi encontrando uma magia inexistente não apenas nas outras obras da CW – mas em séries de super-heróis no geral.

Legends of Tomorrow é extremamente boba, mas em momento algum a produção de Greg Berlanti pensa algo diferente de si mesma, usando isso a seu favor para promover uma diversão semanal cheia de easter eggs, referências e muito, mas muito fan service. E ao começarmos a 4ª temporada da série com “The Virgin Gary”, encontramos todos esses elementos ali, agora com um toque mais sobrenatural.

Após o clímax com as joias do tempo na temporada passada, as Lendas encontram-se fazendo missões rotineiras e que logo acabam provocando um tédio pesado em seus integrantes, que não parecem satisfeitos em proteger os Beatles e garantir a existência da Invasão Inglesa na década de 60. Tudo muda quando uma alteração na linha do tempo acontece em 1969, durante o Festival de Música de Woodstock, onde um unicórnio provoca toda a extinção do movimento Hippie e acarreta na morte de todos os envolvidos no histórico evento americano.

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Esse tipo de premissa é exatamente o que torna Legends of Tomorrow tão bem sucedido. Nenhuma outra série da CW abraça tão facilmente o ridículo e o exagero como essa, e só pela mera imagem de vermos Brandon Routh e o brutamontes Dominic Purcell vestindo ponchos e roupas coloridas dos anos 70 já é mais do que suficiente para colocar um sorriso nos rostos dos fãs, que ainda são presenteados com inúmeras referências sobre a época, além de “participações” de Janis Joplin e Jimi Hendrix.

O surto visual do diretor Gregory Smith também é inventivo, com o grupo precisando enfrentar um unicórnio que os bombardeia com um raio colorido capaz de provocar reações alucinógenas – algo ridículo demais no papel, e digno de uma comédia stoner quando vemos na tela, especialmente quando Mick enxerga Nate como um rato gigante, rendendo uma conversa hilária entre os dois. Smith também se beneficia de uma referência óbvia da época, ao trazer o uso de telas divididas para cenas com muitos personagens, que vão se cruzando entre linhas lineares e outras formas mais abstratas, algo que combina bem com os temas mais “Hippies” de Blake Neely para o episódio, que ainda trouxe o clássico “White Rabbit” em sua trilha incidental.

Mas, claro, o episódio de estreia da 4ª temporada também se destaca por trazer o John Constantine de Matt Ryan mais integrado à trama, após sua breve participação na temporada passada. Ava está constantemente tentando recrutar John para se juntar às Lendas, mas o exorcista soturno está sempre recusando suas ofertas, o que rende uma tensão interessante entre os dois – mesmo com Ava apaixonadíssima por Sara, o que acaba sendo um dos elos fracos do episódio.

Quando a situação do unicórnio se descontrola, Constantine é forçado a agir e aí temos uma debandada para um lado completamente místico e diferente da “ciência” que sempre marcou as temporadas anteriores, mas é bom ver que o roteiro de Phil Klemmer e Grainne Godfree não perde a essência mesmo com esses elementos: a solução de Constantine é tão básica e simplória que praticamente combina com esse universo, com o personagem exigindo objetos “místicos” que tragam sorte e, para o desespero de todo o grupo, uma virgem em pleno festival de Woodstock.

Como a CW sempre acha tempo para trabalhar o coração de seus personagens entre tanta galhofa, “The Virgin Gary” faz um trabalho competente com Nate, apresentando-nos seu pai Henry, vivido por Thomas F. Wilson (o Biff da trilogia De Volta para o Futuro). Temos mais uma clássica e clichê variante da temática pai e filhos ausentes, mas que gera bons momentos graças ao bom trabalho de Nick Zano e Wilson, que aqui e ali nos faz lembrar do jeito ranzinza de seu Biff.

O sempre carismático Brandon Routh também garante bons momentos com a ótima Tala Ashe, com o dilema de Ray em encontrar Nora Dahrk. O elo mais fraco acaba ficando entre Sara e Ava, mesmo com o bom trabalho e de Caity Lotz e Jes Macallan, suas cenas românticas acabaram redundantes sobre as duas discutindo se vão ou não morar juntas – algo bem menos interessante quando se temos um unicórnio demoníaco à solta.

A 4ª temporada de Legends of Tomorrow começa com o pé direito, trazendo toda a loucura e diversão que o grupo viajante do tempo fez com louvor em suas temporadas passadas. Acrescente o estilo beberrão místico de John Constantine à mistura, e temos a promessa de uma viagem memorável.

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Legends of Tomorrow
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