Os fãs de The Vampire Diaries e The Originals devem estar contentes com a estreia da mais nova série a integrar este universo, Legacies, que aposta em perpetuar os elementos mais característicos das produções anteriores, enquanto tenta conquistar um novo público.

Adianto que nunca tive tanto contato com o universo de The Vampire Diaries, e analiso este primeiro episódio sem as referências específicas e necessárias para poder comparar Legacies com suas antecessoras. Sendo assim, aos que (como eu) são recém-chegados, lhes digo o que há de interessante por aqui, e qual o público que a série busca conquistar. Para os fãs de longa data, ofereço uma perspectiva imparcial sobre o potencial que a nova série possui para expandir seu alcance, com uma nova geração.

Legacies segue a história de Hope MIkaelson (Danielle Rose Russell) (filha de um dos protagonistas de The Originals, Klaus Mikaelson) que estuda em uma peculiar escola sobrenatural. De primeira, é possível notar a intenção da série de enaltecer suas distinções através deste novo cenário, que não é apenas uma escola de magia, e sim um lugar para diversos seres sobrenaturais. A proposta é atrativa, distanciando-se de diversas comparações que também apostam em escolas de magia “comuns” para conquistar o interesse do espectador.

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Nesta escola, fãs deste universo poderão rever personagens já estabelecidos dentro deste cânone (Alaric, de The Vampire Diaries, é o diretor desta escola), com novas posições que devem engrandecer a narrativa contínua destas séries, além de abrir espaço para retornos ainda mais impactantes, ou revelações que complementem tramas já encerradas.

Tal qual em algumas franquias do cinema, como Star Wars e Harry Potter, novos núcleos de personagens, em períodos de tempo distintos, acabam trazendo uma sensação de recompensa muito almejada por toda e qualquer produção que dependa de uma base de fãs consistente. A intenção é agradar o público já cativo, enquanto apresenta as principais regras e apelos do universo em questão à uma nova geração, que não pode se sentir alienada durante a história. Para conquistar tais objetivos, Legacies coloca Hope em destaque durante o episódio, mas nos introduz neste mundo pela perspectiva do forasteiro Landon (Aria Shahghasemi).

Por conta da minha falta de familiaridade com Hope, seria difícil acompanhar a história pelos olhos da personagem sem ter a sensação de estar assistindo à uma narrativa já em andamento. Ao invés disso, Landon providencia esta abertura para o novo espectador ir, gradativamente, compreendendo a vasta mitologia deste universo, com boa parte dos diálogos expositivos deste primeiro episódio se direcionando à ele.

Quando o episódio não está situando (ou ressituando) suas tramas, temos diversos vislumbres dos romances que devem permear esta primeira temporada. Com a evidente intenção de agradar e dialogar com um público majoritariamente adolescente, Legacies gasta uma boa porção deste seu início retratando os flertes juvenis entre seus personagens, trazendo diálogos pouco sutis, com ápices melodramáticos (a lista de motivos pelos quais uma das personagens quer que outro personagem transe com ela é um exemplo perfeito desta falta de sutileza). Tal abordagem sempre é capaz de entreter, ainda que afaste uma grande parte do público que a consideraria superficial, ou fútil.

Escolhas visuais também reforçam o foco da série em estabelecer, primeiramente, seu “estilo”. Há um uso descompromissado de “câmera lenta” em diversas sequências, cuja função é enaltecer momentos específicos dos personagens. A fotografia, condizente com outras produções do canal CW, reforça contrastes e procura deixar os quadros contendo sequências de ação, mais expressivos. A abordagem traz resultados cansativos para maratonas, mas é eficiente em prender a atenção do espectador, quando este acompanha os episódios semanalmente.

Ao final deste primeiro episódio, descobrimos que Landon (aquele que nós, “meros mortais”, vínhamos seguindo) pode ser, na verdade, o vilão desta história. A reviravolta representa um gancho muito bem planejado, e deve ser suficiente para fazer com que todos aqueles que apreciaram o episódio até então, retornem na semana que vem. Além de comprovar o empenho dos roteiristas em engajar os espectadores desta nova série com tramas distintas, ao invés de se apoiarem na auto-referência constante.

Legacies se apresenta determinada a expandir o universo de The Vampire Diaries, aproveitando as principais estratégias estabelecidas por franquias atuais para tal empreitada, ao mesmo tempo em que não se desvencilha dos principais elementos que compõem séries adolescentes desde o começo da última década. Com o decorrer da temporada, descobriremos se este mais novo “spin-off” conseguirá produzir novas histórias cativantes sob o mesmo molde de sempre.

Legacies
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