The Walking Dead está com um grande desafio à sua frente: deixar a série viva após a saída de Rick Grimes (Andrew Lincoln). Essencialmente, a série é sobre a sua jornada. Começamos nessa história toda com ele levando o tiro e acordando no hospital, já no pós-apocalipse, e agora veremos sua saída da série.

Receio é inevitável por parte dos fãs, afinal, nos últimos anos o seriado apresentou uma séria queda na sua qualidade, levando vários a abandonarem, em meio à mais pura enrolação e vai e vem entre os sobreviventes e os Salvadores. Felizmente, com a entrada de Angela Kang como showrunner, a série parece ter ganhado um novo sopro de vida. Mas será o suficiente?

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Para responder essa pergunta será preciso mergulhar em algumas das alternativas que podem ser exploradas pela produtora executiva. Naturalmente que estamos entrando no território da especulação – afinal, Rick sequer saiu da série, mas algumas dicas já foram deixadas até agora acerca do que podemos ver no futuro de The Walking Dead – isso é, caso a série sobreviva essa transição arriscada.

Promovendo velhos personagens

O caminho mais óbvio e seguro a ser trilhado seria aproveitar um dos muitos personagens coadjuvantes, “promovendo” um deles para o status de protagonista. Nessa própria temporada vimos alguns personagens tomando a dianteira de maneira mais evidente. Carol, Michonne e Daryl são os candidatos mais populares (vale lembrar que Lauren Cohan, a Maggie, também vai sair da série), todos estão na série praticamente desde os primórdios e o público mais do que se acostumou com a presença dos três, isso sem contar que estão entre os favoritos dos fãs.

Os três evoluíram profundamente desde as primeiras temporadas. Michonne praticamente nem falava e andava com dois zumbis acorrentados; Carol era uma mãe inocente, que perdeu tudo e se reinventou como uma das guerreiras mais temíveis dali; Daryl aprendeu a se abrir, saindo da sombra de seu irmão mais velho, abraçando sua humanidade e, de vez em quando, mostrando seu lado mais carinhoso (especialmente com Carol). Portanto, todos aguentariam tranquilamente a transição para protagonista, sustentariam histórias maiores focadas neles.

Isso não quer dizer que um deles precise assumir o papel de líder. Pelo que vimos nesses primeiros episódios da nona temporada, eles estão tentando construir uma democracia – mesmo com tantos problemas e conflitos, mas, tirando os mortos-vivos, que democracia não passou por isso? Com isso, é possível que o foco saia do papel do líder e passe para alguém menos envolvido e responsável por todos os sobreviventes.

O rei está morto, vida longa ao rei

Não podemos, no entanto, desconsiderar a possibilidade de uma nova liderança ser escolhida e essa pessoa ser, também, a nova protagonista da série. Chegamos, pois, à grande dúvida: quem poderia substituir Rick?

Essencialmente ninguém. Ao menos não nesse ponto. Mesmo com algumas quedas para o “Lado Negro” (algumas com estilo), Rick permaneceu incorruptível na maior parte do tempo. Claro, vimos episódios de “isso não é mais uma democracia”, ele mordendo o pescoço de bandidos, executando inimigos desarmados, mas, em geral, ele se manteve alguém misericordioso e capaz de manter aqueles ao seu redor vivos. Alguns morreram? Sim, mas não fosse ele provavelmente todos já estariam perambulando por aí soltando grunhidos. Certamente ninguém teria sobrevivido ao Governador ou a Negan.

Por isso, seria um erro apontar de imediato o líder perfeito. Os sobreviventes precisam tropeçar algumas vezes antes de se reerguerem de forma estável sob duas pernas. Será um aprendizado para todos eles – como está sendo para Maggie desde as últimas temporadas – mas isso pode garantir uma necessária renovação ainda maior ao seriado. A questão ainda se grava se pensarmos que nenhum dos candidatos considerados acima são bons líderes. Daryl ainda é reservado demais, e Carol não parece ter muita paciência para esse tipo de coisa.

Sobra Michonne, que, em sua defesa, era advogada no pré-apocalipse, portanto não deveria ter problemas em se posicionar verbalmente diante de todo o resto. A questão é conquistar o respeito de todos e, até agora, ela permaneceu mais em segundo plano.

Ponto fora da reta

Entramos em mais um possível caminho a ser seguido: o inesperado. Aqui as vertentes são ainda mais diversas. Existem inúmeros personagens secundários que poderiam tomar a dianteira, alguns realmente inesperados, como Aaron, que recentemente perdeu o braço e está com visual muito parecido ao Rick dos quadrinhos (também sem um dos braços), o que gerou algumas teorias entre os fãs. Ele certamente é cabeça fria o suficiente para seguir esse caminho.

Mas Angela Kang e sua equipe podem realmente fugir da previsibilidade e trabalhar um personagem inteiramente novo. Afinal, nada impede que fujamos do foco dos sobreviventes por um tempo, acompanhando uma pessoa nova, até ela se encontrar com o grupo principal. É arriscado, improvável, mas possível. Por outro lado, isso garantiria uma verdadeira renovação à série, uma mudança de perspectiva gigantesca, que equivaleria a uma regeneração em Doctor Who, ou uma troca de James Bond, pegando outros exemplos da cultura pop.

Vale lembrar que no início da excelente quarta temporada vimos exatamente algo assim, com uma história focada exclusivamente no Governador (que apresentou, também, Tara). Seria curioso ver isso mas com um dos “mocinhos”.

Salto temporal e renovação

Por fim, The Walking Dead ainda terá outra escolha pela frente: nos apresentar mais um salto temporal, de meses, ou até anos, ou seguir o fluxo da narrativa normalmente. A primeira opção permitiria a introdução de novos personagens sem muitos devaneios, mas irá tirar o tempo de “luto” por Rick. Já a segunda soa mais arriscada pela simples questão de, potencialmente, deixar a sombra do xerife pairando sobre toda a história, não muito diferente do que aconteceu na última temporada de House of Cards, que também perdeu seu protagonista.

Mesmo indo pelo segundo caminho, contudo, não há como negar que The Walking Dead está à beira de uma profunda renovação. A saída de Rick, essencialmente, pode ser muito benéfica para a série. Pode ser o suficiente para trazer alguns fãs de volta e manter os fieis espectadores engajados por anos e anos. Mas é preciso coragem. Nem sempre o caminho mais fácil é o adequado, riscos precisam ser tomados a fim de garantir que os curiosos para ver o fim de Rick continuem assistindo.

Tudo depende de qual caminho Angela Kang e toda a equipe de The Walking Dead irá tomar nas próximas semanas.

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